Tirando leite de pedra

Ah, meus dezessete anos! Que saudades eu tenho! Naquela época eu estava no terceiro ano do ensino médio. Pela tarde, estava na escola. Pela manhã, um curso técnico que sequer concluí. Também, o que realmente eu pretendia estudando Desenho de Construção Civil? Desenhar nunca foi meu forte e matemática também não. Agora, imagine o tédio que eu não sentia em uma aula dessas, sob a luz branca da sala e o frio do ar condicionado? Isso sem mencionar o fato de eu estar acordada deste antes de cinco horas da manhã…

Quando eu tinha um intervalo, eu gostava de fazer uma coisa, além de, é claro, ouvir música. E se você acha que este meu passatempo tinha a ver com papel, caneta e letras, acertou. O fundo  do meu caderno vivia lotado de poemas, títulos de poemas, rascunhos de contos… Era uma coisa de louco. Mas eu gostava. E teve um poema em especial que lembro até hoje. E é por causa dele que o título do post de hoje é Tirando leite de pedra. Vou explicar o porquê: é que ele não fala sobre minha vida. Não fala sobre nada… óbvio. Ele veio de um quadro que vi em algum lugar, não lembro bem onde. E esse quadro retratava homens em volta de uma fogueira. Parecia um daqueles acampamentos de guerra. É, a inspiração vem até de onde a gente acha que não vai sair. Então, está aí o resultado:

 

 

Momentos finais antes do início da batalha

Amanhã partiremos

Sim, lutaremos!

Uma guerra que terá início nas primeiras horas do dia

E findará nos minutos finais da madrugada

 

Aqui, em volta dessa fogueira

Debaixo de um teto de estrelas

Nós, guerreiros, nos reunimos

E, de qualquer forma, nos despedimos

 

Nos despedimos porque não sabemos

Se veremos novamente o rosto do nosso irmão

Nossas vozes, em agonia, se calam

Mas nossos olhos traduzem o que os lábios não falam

 

E agora o momento chega, as horas avançam

Observamos agora o crepitar das chamas

Da mesma forma que um aracnofóbico faria

Ao observar o ballet sinistro das aranhas

 

Pois sabemos que todos irão

E sabemos que todos lutarão

Mas sabemos que nem todos voltarão

Porque muitos partirão.

 

 

Avisos:

1)Já tem poema novo pronto. Só não sei quando vou postar. E não me perguntem o porquê.

2)O blog vai mudar de nome.

 

 

Medo de escuro?

A noite chegou. Hora de dormir. A criança é colocada na cama pelos pais, que lhe dão um carinhoso beijo de boa noite. “Durma com os anjos”, eles dizem, antes de desligar a luz e sair do quarto, fechando a porta. Mas, o momento que deveria ser tranquilo torna-se uma agonizante seção de pavor. A criancinha ouve barulhos assustadores e sua fértil imaginação a leva a distinguir, na escuridão, coisas que sequer existem.

Essa cena lhe faz lembrar de alguma época de sua vida? Muitos (ou todos) já passaram por isso na infância. O medo do escuro é algo comum nessa idade, provavelmente criado a partir dos monstros que nos são apresentados através dos livrinhos de histórias infantis, que trazem as bruxas, os gigantes, os bichos-papões, os lobos maus, associado a ausência da figura protetora dos pais no quarto e a inexistente luminosidade no aposento, que não permite a ninguém enxergar nada e ainda cria silhuetas que podem ser aterrorizantes para os pequenos.

Algumas vezes, este medo continua, ainda que em menor intensidade, na adolescência. Talvez provocado pelos filmes de terror ou pelo medo de, durante o sono, o quarto ser visitado por animais nada desejados e bastante peçonhentos.

E há quem já está na vida adulta, mas continua temendo a escuridão mesmo assim, mesmo sabendo que o medo que o acompanha desde a infância tem características bastante surreais. Certa vez, eu estava conversando com uma senhora que me disse que tinha medo do escuro. “Não sei”, ela me contou. “Tenho a impressão que algo vai aparecer e vai me pegar”. Creio que este seja o tipo de medo que os psicólogos nomeiam como acluofobia.

Bem, chega de conversa. A história de hoje recebe o mesmo título desse post. Uma jovem mulher tem motivos para temer o escuro. Mas descobre que também tem motivos para amá-lo! Confiram!

 

 

Marcelo encontrava-se deitado em sua cama, barriga para cima, mãos atrás da cabeça. Deleitava-se com a cena de sua esposa penteando seus longos cabelos diante do espelho da penteadeira. Tudo nela era tão harmonioso! Sua pele morena, suas madeixas negras, seu rostinho delicado… E o conjunto de baby doll de cetim salmão que usava só complementava aquele belo conjunto.

Mas havia outra coisa que observava todas as noites, além do momento de vaidade da esposa.  Era o fato de que Emanuele sentia-se irritada com a simples menção de apertar o interruptor do abajur, mesmo que ela já estivesse a caminho da cama. Marcelo lembrava-se que, da primeira vez que dormiram em casa, após a viagem de lua de mel, ela terminou de pentear os cabelos e encaminhou-se para a cama. Ao vê-la apoiando os joelhos no colchão, prestes a se deitar, ele apagou a luz. E, após esse gesto, tudo o que sentiu foi um ardor, provocado por um tapa no braço. Gemendo de dor, confuso e ao mesmo tempo, irritado, ele perguntou a Emanuele o porquê de ela ter feito aquilo. E ela, num irado e choroso tom de voz, resmungou que aquilo não era coisa que ele fizesse, pois ele apagara a luz antes de ela deitar-se e ela poderia ter se batido na cabeceira da cama e se machucado. Mesmo sem entender, Marcelo pediu-lhe desculpas e prometeu que prestaria mais atenção da próxima vez. Porém, na noite seguinte, ela preveniu-se deixando a luz do abajur do criado-mudo do seu lado da cama acesa.

E não era só isso: a mulher ficava extremamente irritada quando faltava luz. Ele ainda ficava intrigado ao lembrar-se de um episódio que seria cômico se Emanuele não tivesse ficado tão histérica. Estavam em casa. Ele, na cozinha, preparando um lanche, e ela na sala, lendo. Era uma noite fria e nublada. Sem aviso, as luzes de todas as casas do bairro e dos postes da rua apagaram-se. Havia faltado energia. Exclamações surpresas dos vizinhos podiam ser ouvidas tão bem quanto Marcelo ouviu a dele próprio. Porém, dentre o habitual som de vizinhança lamentando por ter perdido a melhor parte do jogo de futebol ou ter sido forçado a deixar uma interessante conversa numa rede social qualquer, o rapaz ouviu ainda uma voz estridente e muito mal-humorada gritar o seu nome.

– Marcelo! Marcelo! Cadê você?

– Estou aqui, Manu!

– Onde? Eu estou na porta da cozinha, mas sua voz não parece estar saindo daqui!

– Eu vim para o quarto. Estou aqui, procurando a lanterna!

– O quê? Como ousa se distanciar de mim numa hora dessas?

Marcelo suspirou impaciente.

– Você queria que eu permanecesse na cozinha, plantado?

– Queria! Por sua culpa, bati minha perna!

– Emanuele, para que tudo isso? É só um apagão!

– É, mas eu me levantei para te procurar, e agora estou machucada! Anda, Marcelo, estou aqui no corredor!

Ele apareceu de lanterna em punho, apontando o facho de luz para o rosto dela.

– Pronto, já estou aqui. Não precisa ter medo do escuro.

A voz de Emanuele se elevou ao máximo.

– Quem te disse que tenho medo do escuro?!

– É o que parece. – respondeu Marcelo, dando de ombros. – Você faz um escândalo desnecessário a um simples apagar de luzes.

– Eu não tenho medo de nada, certo? Só estou nervosa porque machuquei a perna. E a culpa foi sua!

Marcelo não disse mais nada. Apenas suspendeu os olhos.

De volta à realidade, ele se perguntava se não era uma boa hora para tirar a limpo aquela dúvida. Sabia que corria o risco de ser espancado. Emanuele se irritaria, espernearia, xingaria, choraria. Ela era orgulhosa, nunca admitia que chorava, que sofria, que temia. O jeito doce de mulher tentava, ao máximo, se ocultar sob uma capa durona. Mas, naquela noite, sua esposa confessaria se todas as coisas inconvenientes aconteciam apenas na escuridão ou se ela realmente sentia horror só de imaginar a ausência de luz.

Mesmo que isso lhe custasse a cabeça.

Ela pousou o pente na penteadeira. Virou-se, então, para iniciar seu trajeto até a cama. Foi exatamente nesse momento que Marcelo executou seu plano: esticou o braço em direção ao criado-mudo dela, alcançou o interruptor de seu abajur e desligou a luz. Clic. Tudo estava escuro. Ele continuou deitado, esperando por qualquer tipo de reação por parte da moça. Não demorou dois segundos para que ele ouvisse a voz desesperada de Emanuele.

– Marcelo! Liga a luz, por favor?

– Não.

Ele conseguiu perceber que ela batia os pés no chão, totalmente impaciente.

– Marcelo, eu não estou brincando! Acende a luz logo!

– Não acendo.

– Marcelo, eu te imploro! – suplicou ela, a voz chorosa que conseguia fazer Marcelo se compadecer. – Acende a luz, por favor.

– Só se você me confessar que tem medo do escuro.

– Mas eu não tenho medo do escuro!

– Então não vai se importar de vir se deitar de luz apagada.

– Marcelo, eu estou ficando nervosa! Não faz isso comigo, por favor!

O rapaz se assustou ao notar que agora ela chorava de verdade. Mais que depressa, ele acendeu a luz novamente. Não queria mais torturá-la. Sua expressão foi tomada de ternura ao ver o seu rosto lavado de lágrimas.

– Ei! – chamou ele, estendendo os braços para ela. – Vem aqui!

Ela sentou-se na cama, mas não se aconchegou nos braços calorosos do marido. Estava com muita raiva.

– Por que você fez isso?

– Porque sempre percebi que você tem medo do escuro.

– E se eu tiver? – indagou ela, secando as lágrimas com as costas das mãos. – Qual o problema?

– Gostaria de te fazer esta mesma pergunta.

Emanuele ficou em silêncio, pensando nas palavras do marido.

– Por várias vezes te perguntei, Manu. E você sempre me dizia que não. Mas a forma como você se comporta ao menor piscar das luzes é, no mínimo, anormal. Eu gostaria de saber. Sou seu marido. Gosto de saber de seus problemas, de seus medos. Para cuidar de você. Para te ajudar.

A esposa hesitou um pouco e, então, aninhou-se no abraço que Marcelo lhe oferecia.

– Tudo bem, eu confesso: tenho muito medo do escuro.

Ele repousou o queixo sobre o topo da cabeça dela.

– Desde pequenina, suponho.

– Sim. Bem, na verdade, nem sempre foi assim. É que quando eu fiz cinco anos, e comecei a dormir sozinha, no meu quarto, meu irmão gostava de me pregar peças. Ele deixava aranhas e escorpiões de plástico na minha cama, puxava meu pé, reproduzia sons estranhos quando eu já estava deitada. E para piorar, ele deixava o meu abajur fora da tomada!

– Davi devia ter sido mesmo um peste quando criança!

– Pois é. E então eu cresci com a ideia de que no escuro sempre teria algo para me pegar… Algo estranho, sobrenatural.

– Mas, orgulhosa como é, nunca gostou de admitir!

– É. Eu sempre acho que sou a única com este tipo de bobagem, sabe?

– Não acredito que você seja a única e também não acho que isso seja uma bobagem. Todos têm medo de algo.

Emanuele sacudiu a cabeça afirmativamente.

– Vamos tentar superar este medo juntos, certo?

– Certo.

– Posso te fazer mais uma pergunta?

– Pode?

– Você tem medo do escuro quando está aqui, comigo, deitada na nossa cama?

Ela sorriu.

– É o único momento que a sensação de medo é aplacada.

Foi a vez de ele sorrir.

– Você não precisa ter medo do escuro quando está ao meu lado, pequena. Não precisa ter medo de nada. Afinal, o escuro também traz a paz, a serenidade, o descanso… Não é?

– É…

– Agora apague a luz. E boa noite, Manu.

Emanuele apagou a luz e deitou-se, repousando a cabeça no peito do marido, que a abraçava ternamente. Dentro de alguns minutos, ela escutou a respiração profunda dele, que já havia caído no sono. Também sentia o cheiro de sua pele, o calor reconfortante dos seus braços… Sentia uma imensa paz. Agradeceu ao marido mentalmente por tê-la feito refletir em algo que ela nunca havia refletido antes. O escuro não era só o pavor e a apreensão que o seu irmão mais velho fizera questão de ensiná-la ainda na tenra idade. Mas ela também acrescentaria algo mais nas palavras do marido: além de paz e descanso, o escuro também trazia o aconchego, o contato direto com a pessoa amada, a sensação de que era amada, desejada e protegida. Exatamente como se sentia agora. O dia podia ser alegre como fosse. Iluminado como fosse. Seguro como fosse. Mas era o turno que ela e seu marido estavam na correria de seus trabalhos, de suas rotinas. E este período raramente lhe proporcionava momentos como o que estava curtindo agora.

Por que ela deveria ter medo do escuro, mesmo?

 

 

Enquanto escrevia, conclui que Manu precisa urgente de um psicólogo, he he! Mas não fiquem tímidos com esta minha observação: comentem o que acharam do meu texto e me falem também se vocês são homens ou mulheres feitos que não gostam quando as luzes se apagam. Creio que vocês não estão sozinhos.

Por hoje é só e depois tem mais! Ah, mas fiquem com uma música, Medo de Escuro, de Falamansa. Enquanto estava postando, não conseguia parar de pensar nela. Óbvio não?

Um bom sábado para todos vocês!

Falamansa – Medo do Escuro

 

 

 

A loba solitária

Um texto que veio num momento de inspiração súbita…

 

Mais um dia exaustivo se encerrava. Bem, ao menos era sexta-feira. Ela abriu a porta de seu apartamento, atirou a bolsa ao sofá e caminhou até a cozinha. Precisava urgentemente de um copo com água, bem cheio e gelado. Por mais que tivesse feito o caminho do trabalho para casa no conforto de seu carro, encarar o trânsito da cidade em horário de pico era estressante e cansativo. As horas que passava tentando driblar o engarrafamento sempre a obrigavam a ter de esperar um pouco mais para sentir o precioso líquido molhar-lhe a garganta ou para descansar em sua cama.

Abriu a porta da geladeira satisfeita e sentiu-se imensamente revigorada depois de matar a sede. Fechou a porta do eletrodoméstico novamente e saiu saltitando pelo corredor, rumo ao seu quarto. Naquele cômodo decorado com excelente gosto, onde a cor branca predominava, estava o seu mundo, assim como o restante daquele imóvel. A sensação de liberdade que aquele lugar lhe proporcionava era tão incrível que chegava a deixá-la extasiada de tão feliz. Ali era onde descansava, após as horas estressantes que passava trancafiada em um escritório; ali era onde a certeza de que era dona do próprio nariz era constantemente reafirmada; ali ela mandava, desmandava, criava, trabalhava, planejava, desenhava. E não havia ninguém para interferir.

Caminhando até o banheiro, livrou-se das roupas sociais e, após entrar no box, ligou o chuveiro, aproveitando os pingos frios de água que escorriam pelo seu corpo, levando embora todo o cansaço do dia. Seu emprego não era totalmente ruim: o salário era razoável e o seu superior reconhecia a boa profissional que era. Ainda assim, o trabalho que executava exigia um grande esforço de sua mente e quando se via fora daquele prédio executivo… Ah! Que imenso alívio! Alívio que se tornava completo quando fazia exatamente o que estava fazendo agora.

Após o banho, vestiu uma camisola branca e retornou a cozinha, desta vez com o intuito de preparar algo para comer. Não costumava jantar, dando preferências a lanches rápidos à noite. Ralou uma cenoura, acrescentou queijo e peito de peru picados, passas e misturou-os a maionese. E assim estava pronto o seu sanduíche natural. Em seguida, encheu um copo de suco de umbu e, colocando tudo em uma bandeja, partiu para a sala. Ali chegando, acomodou-se no sofá e ligou a televisão, escolhendo o canal que exibia o seu programa favorito. Desta forma, estava feito o seu happy hour.

Ela lançou um olhar à janela, cujo vidro lhe transmitia uma rápida ideia de como devia estar sendo a noite lá fora. Sorriu e, de repente, o programa de televisão pareceu perder o interesse. Ela começou a se perder em seus devaneios. Devaneios que tinham a ver com a sua vida. Com a sua personalidade.

 

Ela era jovem. Ela era bem resolvida. Ela tinha atrativos. Moças como ela deveriam estar aproveitando a noite de sexta-feira na balada ou num barzinho, cercadas por amigos ou na companhia de um namorado, não é verdade? Bem, não necessariamente.

Nunca fora de ter muitos amigos. Sempre fizera o estilo “loba solitária”. Enquanto seus colegas de trabalho rumavam para os agitos que a noite de sua cidade oferecia, ela era uma daquelas pessoas que preferiam a tranquilidade de sua casa. Um namorado não lhe fazia falta, no momento. E ela sentia-se feliz como estava. Gostava de viver a sua vida sozinha, por mais que as pessoas a achassem estranha ou infeliz. Mas ela não era. Ela apenas gostava de ter o seu próprio espaço, e não esquecia seus amigos ou deixava de visitar a sua família por isso. Apenas vivia da maneira que era a sua marca registrada: com independência.

Com apenas dezoito anos, havia criado coragem e saído de casa para morar numa espécie de república com mais cinco garotas. Com planejamento e muito trabalho, conseguiu alugar um pequeno apartamento aos vinte. E agora, com vinte e sete, havia conseguido um emprego melhor e um apartamento mais confortável. E então, tornou-se adepta do estilo de vida solitário.

Ela ainda mantinha um sorriso no rosto e o olhar fixo à janela quando saiu de suas reflexões. Ainda com o mesmo sorriso, perguntou-se se um dia passaria a preferir uma vida mais… Como as pessoas diriam… Sociável. Talvez. Mas por enquanto, o aconchego de seu lar e os momentos de paz que só ele lhe proporcionava eram tão agradáveis!

Abriu mais ainda o sorriso. Estava plenamente satisfeita com a sua vida.

Um post de apresentação

Muito prazer! Sou uma jovem de quase vinte anos de idade. Soteropolitana, apaixonada por livros, amo escrever. Mesmo quando viajo, levo comigo um caderno e uma caneta. É um dos meus passatempos XD.

Como sempre guardo as minhas histórias para mim, resolvi publicá-las em um blog. Sou uma escritora amadora, e talvez seja por isso que estou tão ansiosa para começar a deixá-las aqui e receber muitos, mas muitos comentários!

Aguardem as novidades. Espero que gostem!

Justine