O pássaro preto que queria ser borboleta

Era um pássaro negro. Negro como a noite. Passava os dias dentro de uma gaiola, na varanda de uma encantadora casinha.

O pássaro levava uma vida que fazia inveja aos demais pássaros que vivem em cativeiro. Além de água e comida, seus donos conversavam com ele e por vezes o tiravam da gaiola e o deixava pousar em seus dedos. Ele cantarolava e seus donos nunca hesitavam em dizer o quanto seu canto era agradável e o quanto era bom tê-lo em sua companhia. O pássaro preto tinha muitos motivos para ser feliz. Mas, ele sempre sentia que algo lhe faltava.

Toda vez que as borboletas passavam voando perto de sua casa, ele ficava a admirar os delicados animaizinhos e desejando ardentemente ser como elas. Esse desejo nada tinha a ver com o colorido das asas dos insetos em contraste com a uniformidade de suas penas; se este fosse o problema, ele poderia sonhar com uma mudança menos drástica, como tentar ser como o velho papagaio verde e amarelo que passava o dia empoleirado e falando meia dúzias de palavras repetitivas.

A questão era que as borboletas tinham o dom da liberdade. Ele jamais vira uma borboleta presa em uma gaiola como o papa-capim, o papagaio, o cardeal, o coleirinha e o casal de perequitinhos das gaiolas vizinhas. Nem mesmo a pequenina filha do dono da casa, que sempre pedia os mais variados tipos de bichos – tartarugas, pássaros, micos e até mesmo cobras – nunca pedira para que lhe trouxessem, aprisionada em algum recipiente, uma borboleta. Talvez porque as borboletas fossem tão lindas e tão frágeis que até mesmo os humanos, no alto de sua tirania que consiste em arrancar seres vivos de seu habitat natural, compreendessem que o cativeiro é algo terrível demais para elas. Talvez porque a sina da prisão pertencesse apenas as aves. E, já que era assim, só restava ao pobre pássaro preto observar, invejoso, as borboletas batendo suas asas freneticamente, desenhando no ar, pousando, vez por outra, em alguma flor para beber seu néctar.

Os anos se desenrolaram na vida do pássaro negro com a leveza de uma pedra. Ele se lembrava dos poucos anos em que vivera livre e isso o entristecia cada vez mais. Seus donos notavam e se preocupavam muito com seu esmorecimento. A dona da casa passou a alimentá-lo com comida especial e passava ainda mais tempo conversando com ele, falando do mesmo modo que uma carinhosa mãe falaria com seu bebê. Seu esposo, o dono da casa, misturava à sua água e alimento os remédios que seus amigos lhe recomendavam, com base em suas longas experiências como criadores de pássaros. A filhinha do casal era de longe a que mais sofria. Todos os dias ela olhava para a gaiola da ave e, com o rostinho molhado de lágrimas, apontava o dedinho para o pássaro e perguntava:

– Ele ficará bem logo, mamãe?

Contudo, o pássaro preto parecia não corresponder aos imensos esforços da família. “A única forma de eu voltar a ser feliz de novo é me tornando livre. De que me vale todo o amor, carinho, comida e regalias se não posso esticar minhas asas e alçar voo, seguindo o meu próprio destino? Como eu queria ser uma borboleta! Seu espírito é tão, tão livre que os humanos não têm interesse algum em aprisioná-las!”, pensava a sua cabecinha de ave. E, todos os dias, seus olhinhos pretos e entristecidos continuavam a observar as lindas borboletas.

A tristeza consumiu ainda mais o pássaro preto, a ponto de ele não querer comer, beber e nem cantarolar mais. Passava os dias empoleirado e ainda mais cabisbaixo, aumentando ainda mais o desespero de seus donos. Mas, se não correspondeu aos tratamentos antes, quanto mais agora, que parecia ainda mais disposto a definhar! Não se importava mais com nada; nem com o investimento de seu dono, nem com os carinhos redobrados de sua esposa, nem com os apelos da garotinha. Concentrava-se apenas em sua depressão.

Então, em uma determinada noite, o pássaro fechou os olhos, sonolento. Depois de alguns minutos adormecido, ele começou a sonhar. No sonho, ele estava em um belo campo, com grama muito verde e flores rosas e lilás. Várias borboletas voavam no céu, tão livremente quanto aquelas que ele costumava ver de sua gaiola. Extasiado com aquele belíssimo espetáculo, o pássaro preto levantou voo, misturando-se a elas. Ao ver a ave em seu meio, muitas borboletas pousaram rápida e delicadamente no seu bico, cabeça e costas. Sem conter a alegria, ele voou ainda mais alto, em direção ao sol, as borboletas o seguindo. Estava indo para a vida que sempre quis ter…

Na manhã que se seguiu, as nuvens tomaram conta do céu, acinzentando o dia. A menininha, já pronta para ir à escola, chamou a mãe, os pequenos dedos enlaçados às gretas da gaiola.

– Mãe! Amendoim não está se mexendo! E está caído no chão da gaiola!

A mãe foi apressada até a varanda da casa. Encontrou o passarinho no chão da gaiola, as pernas para o ar e os olhos fechados. Respirou fundo antes de dar a notícia para a filha:

– Ele morreu. Com certeza foi de velhice…

Anúncios

No doce dos seus sais

Em plena madrugada

Tua alma de poeta

Rola em sua mente

Te incomoda e te desperta

 

Lança mão, então

Dos teus instrumentos

Para tentar aliviar as mágoas

Desfazer-se dos tormentos

 

O que há esses dias?

Já não dorme mais

E os problemas lhe perseguem

Relaxe no doce dos seus sais

 

O sono não lhe invade

Frustração é o que arde

Dificulta, é pesado

E ainda há o resfriado

 

O que há esses dias?

Já não dorme mais

E os problemas lhe perseguem

Relaxe no doce dos seus sais

 

Meus amores, só para constar: estou muito chateada com vocês que lêem e não comentam. Curtida é bom, mas comentário é melhor ainda! Beijos!

Isabella Sousa

Metamorfose

Ah, aquela jovem mulher… Jovem mulher? Não! Uma menina, ainda!

Ela caminha cada vez mais para o crescimento. Ela ainda tem a liberdade como a sua maior esperança. Ela constrói, ela ergue, ela se reergue. Mesmo em sua fragilidade, ela tem algo de lutadora dentro dela. E no íntimo, ela sabe que ainda sairá vencedora de todas as batalhas.

Ela traz em seu coração muitos aprendizados. Muitas feridas. Muitas perguntas. Muito do que se viveu e muito do que não se viveu também. Sua vida não fora complicada. Na verdade, todas as suas cicatrizes tem a ver com questões a serem resolvidas com ela, com o seu lugar, com as suas pessoas. É cansativo, mas é necessário.

Esta noite ela acaba de ganhar mais uma cicatriz de guerra. Ou, ao menos, mais uma ferida começa a se fechar. Ela sente o incômodo desse momento. Mas ainda assim, em algum lugar do seu coração, ela também sente uma espécie de alívio, uma espécie liberdade, uma espécie de força que nem ela mesma compreende. Talvez porque este seja o momento em que ela perdeu. Mas também seja o momento que ela está ganhando. Talvez seja algo a impulsionando a seguir em frente, dando a ela um conforto que resulta numa enorme vontade de sorrir. Seus sonhos lhe aparecem na mente, todas as suas metas e seus objetivos. É hora de se desprender do passado aos poucos, dando tempo ao tempo, mas é a hora.

Ela tem consciência de tudo o que aconteceu. E vai levar seus erros e acertos nessa história para toda a sua vida. Sabe que fará parte de seu amadurecimento. E a fará mais equipada para as próximas batalhas que ela bem sabe: para o seu próprio bem, uma hora ou outra terá que travar.

Mas agora ela reflete. Planeja. Procura compreender o porque das viradas de página. Procura entender que cada coisa deve ficar no seu lugar, no seu momento. E isso é vida que segue.

Tudo o que ela pede agora é força e, acima de tudo, coragem. Que tudo ocorra bem, agora. Que tudo ocorra da forma que tem que ocorrer.

Boa sorte, garota!

Se não desenho ilustrações, desenho textos!

Um dia desses, eu e uma colega estávamos conversando sobre alguma coisa que não me lembro. A única coisa de que me recordo, na verdade, foi de ter falado para ela que, se eu soubesse desenhar, ilustraria a personificação de cada estação do ano. Ela riu. Tenho que me acostumar com o fato de que minhas ideias mirabolantes podem causar espanto. Mas me digam… Por que essa surpresa toda? Tanta gente que é craque em desenho faz trabalhos tão legais… Personificam, parodiam, criam. E todo mundo admiro. Vai ver porque coisas assim são mais admiráveis na prática do que na teoria.

Mas, enquanto a garota com quem conversava soltava um muxoxo e ria, eu dizia no meu íntimo: “Bom… Não sei desenhar. Mas posso desenhar textos! E daí, nasceu um poema, que não gostei de escrever logo nos primeiros versos. Mas não porque estivesse ruim. É que eu percebi que estaria melhor como uma narrativa. Parece que estou saindo do meu momento poeta, rs. Organizei-o dessa maneira e… O resultado está logo abaixo! Nesse texto, eu falo sobre a chegada e a saída das estações do ano, na minha visão. Confiram, e por favor, deixem seus comentários, pois alegrão muito meu coração.

Ler mais

Não me mate de saudades…

Não me mate de saudades
Não se afaste tanto de mim
Não desenvolva essa vontade
De dar a nós um fim

Não me mate de saudades
Não esqueça a nossa história
Tivemos nossas tempestades
Mas tivemos nossas glórias

Não me mate de saudades
Nem que seja um pouquinho
Pois em mim ainda tem
De você um pedacinho!

Tentando regularizar a situação…

Boa noite, turma! Espero que tenham aproveitado bastante este feriado do dia 1º de maio.

Neste momento são nove horas e quatro minutos na capital baiana e eu estou aqui, tentando não deixar o blog morrer. Creio que todo mundo já passou por essa crise, rs.

Bem, no post E essa mania de poetizar tudo, hen? eu falei que havia escrito uma pequena crônica enquanto passava por uma grave crise de inspiração e que a postaria no fim fim da semana, mês, ano ou década. Mas, enfim, ela está aqui. Por favor, falem nos comentários se vocês já tiveram um momento Bruno. Ah! E lembram que falei que estava com uma ideia nova no último post? Pois é, e ela está sendo colocada em prática. Em breve falaremos dela e vocês poderão conferir um de seus muitos resultados! 😉

Bem, vamos lá?

Ler mais

Falta de tempo…

Que saudades eu sinto de postar alguma coisa por aqui… Gente, estou sem tempo para nada. Ou quase nada. Não parei de escrever. Parei apenas de postar. Isso não significa que vou dar uma pausa no blog. Não vou mesmo! Tudo bem que as coisas por aqui estão bem, digamos, abafadas, mas eu vou dar um jeitinho. Não posso parar agora que atingi, com Joguem suas garrafas no mar!, a marca de 10 posts! Isso sem falar nos meus queridos seguidores! 😉

Ler mais