Só para avisar: isso aqui não tem nada a ver com Teen Wolf.

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Uma adolescente de férias escolares vasculha várias lendas na internet. Fascina-se, impressiona-se com cada uma delas. Entra em artigo da Wikipédia, sai de artigo da Wikipédia, ela chega à lenda do Lobisomem. Mas um nome em especial lhe chama a atenção no gigantesco texto: Besta de Gévaudan.

A adolescente mencionada no parágrafo acima sou eu, com catorze anos de idade. Lembro-me muito bem desse período: férias de fim de ano, divisor de águas do Ensino Fundamental II e do Ensino Médio. E lá estava eu, pesquisando na Internet o assunto que muito me fascinava (e que talvez ainda me fascine). Mitologia. Lendas. Gregas, Portuguesas, Brasileiras. E, ao ler um pouco mais sobre a lenda do Lobisomem, me deparei com um tema do qual nunca havia escutado falar: a Besta de Gévaudan. Cliquei sem hesitar e o que li ali me levou a pesquisar e ler mais. Vou contar para vocês o que li.

Há muitos anos atrás, a província de Gévaudan, localizada no sul da França, sofreu com os ataques de um misterioso animal. Essa criatura, descrita como sendo um imenso lobo, quase do tamanho de um burro, dotado de orelhas pequenas, mas garras e dentes afiados, pelagem escura, matava não para comer ou se defender. Parecia pura maldade. Ele dava preferência a mulheres, crianças e homens solitários. Os corpos de suas vítimas, se não eram parcialmente devorados, estavam decapitados ou estripados.

Desde a sua primeira aparição, ao tentar matar uma mulher que cuidava de um rebanho e, tempos depois, assassinar uma garota de catorze anos de idade, o animal deu início, naquela região, a um reinado de terror que foi muito difícil de romper. Caçadas eram constantemente organizadas, até mesmo por nobres locais, mas sem nenhum resultado. Aliás, vale mencionar aqui o fato de que, na tentativa de dar um fim à verdadeira besta, os lobos daquela região sofreram um ataque fatal e massivo.

A situação piorava ainda mais e o número de mortos só subia. Por isso, o rei Luís XV viu-se na obrigação de atender aos pedidos desesperados dos camponeses e ofereceu uma grande quantia em dinheiro para quem capturasse a criatura que, a essa altura, já estava no imaginário popular como um lobisomem. A promessa de uma recompensa tão farta obviamente atraiu a presença de muitos caçadores para a província. Um grande lobo foi abatido pelo taxidermista Antoine de Beauterne Marques e, assim, a paz voltou à Gévaudan. Por mais de um ano.

Porém, em uma determinada Primavera, duas crianças desapareceram e o corpo de uma mulher foi encontrado sem cabeça. Marques foi convidado a uma nova caçada, mas o próprio respondeu que não retornaria à região. Para ele, estava claro que aquilo era um trabalho de um maníaco e não de um lobo.

O responsável pela morte que daria fim de uma vez por todas ao pânico dos camponeses foi Jean Chastell, um homem misterioso que passava pela região. Chastell pediu aos moradores locais pertences de prata e derreteu-os criando vários projéteis que seriam usados para matar a besta que ele também afirmava ser um lobisomem. Conta-se que, quando a fera apareceu, o homem estava rezando numa clareira. O animal ficou olhando fixamente para ele até que o homem sacou uma arma e deu um tiro no animal com bala de prata benzida por um padre e tudo o mais. E assim, com uma bala abençoada, morreu a violenta Besta de Gévaudan, que resolveu colaborar com o seu caçador e sequer tentou atacá-lo. Suspeito, não? Historiadores e quem mais estuda o caso também acham. Muitos acreditam (e eu também), que a besta pertencia a Jean Chastell ou fazia parte de uma suposta coleção de feras do seu pai, já que, naquele tempo, como em épocas mais antigas, era comum que pessoas com certas condições colecionassem animais selvagens. Há quem diga que o animal foi trazido da África e era uma espécie extinta de hiena. O que reforça este argumento é que, quem sobreviveu ao seu ataque, afirmou que a fera emitia sons semelhantes aos de gargalhadas. Hiena, lobo, chacal, ou qualquer coisa que o valha, não se pode discordar de uma coisa: Jean era apenas um homem sedento por fama e glória. Por conta disso, folclorizou ainda mais a imagem da besta de Gévaudan na mente ingênua e aterrorizada dos camponeses para tornar-se conhecido por ser o responsável pelo fim de um animal que ele mesmo sabia ser uma verdadeira máquina de matar.

A fera foi levada até o rei Luís. Mas, visto que os métodos de embalsamamento eram precários nesta época, o cadáver do animal chegou à corte em estado de decomposição e com um cheiro tão ruim que o monarca ordenou que o tirassem de diante dele imediatamente. É uma pena que não tenhamos mais o animal empalhado e exposto em algum museu, como é o caso dos leões de Tsavo que foram apelidados de Sombra e Escuridão após espalharem o terror durante a construção de uma ferrovia no Quênia, e que até ganharam um filme chamado A Sombra e a Escuridão (a Besta de Gévaudan também não é fraca e tem um filme baseado em sua história chamado O Pacto dos Lobos, e que eu particularmente não gosto). Todavia, um monumento foi erguido no local para lembrar os horrores daquele período. Confiram abaixo:

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Um dia ainda tiro foto ao lado desse troço.

Agora, podem me perguntar: Por que o resumo deste caso está aqui? Bem, a cabecinha da jovem aqui sempre foi fértil e começou a bolar uma história baseada nesse relato. Lembram quando contei em E essa mania de poetizar tudo hen?, que tinha histórias ótimas para o público juvenil? Pois é. Ainda estou escrevendo, mas, dependendo da quantidade de visitantes, posso postar os capítulos aqui…

Despertou a curiosidade de alguém?

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